Sobre a brevidade da vida

No capitulo III do livro Sobre a Brevidade da Vida, Seneca, Editora L&PM Pocket, nos dá uma lição. Escrito há séculos, suas palavras mostram atualidade, repletas de idéias inspiradoras, nos advertem contra a correria desvairada a que se entrega a maioria dos homens.
1. Nenhum homem sábio deixará de se espantar com a cegueira do espírito humano...
Ninguém permite que sua propriedade seja invadida...
No entanto, permitem que outros invadam suas vidas..
São econômicos na preservação de seu patrimônio, mas desperdiçam o tempo, a única coisa que justificaria a avareza.
2. Agradar-me-ia questionar qualquer um dentro os mais velhos: Vemos que já atingiste o fim da vida, tens 100 ou + anos. Vamos, faz o cálculo a tua existência. Conta quanto tempo foi tirado por um credor, pelo poder, por um cliente. Quanto tempo foi tirado pelas brigas conjugais, pelo dever de idas e vindas pela cidade... Acrescenta, ainda, as doenças causadas por nossas próprias mãos e também todo o tempo desperdiçado. Verás que tens menos anos do que contas.
3. Perscruta a tua memória: quando atingiste um objetivo? Quantas vezes ao dia transcorreu como o planejado? Quando usaste teu tempo contigo mesmo? Quando mantiveste uma boa aparência, o espirito tranquilo? Quantas obras fizeste para ti com um tempo tão longo? Quantos não esbanjaram a tua vida sem que notasse o que estava perdendo? O quanto da tua existência não foi tirado pelos sofrimentos sem necessidade, tolos contentamentos, paixões ávidas, conversas inúteis, e quão pouco te restou do que era teu? Compreenderás que morres cedo.
4. O que está em causa então? Viveste como se fosse viver para sempre, nunca te oorreu a tua fragilidade; Não te dás conta de quanto tempo já transcorreu. Como se fosse pleno e abundante, o desperdiças e, nesse ínterim, o tempo que dedicas a alguém ou a alguma coisa talvez seja o teu último dia. Temes todas as coisas como os mortais, desejas outras tantas...
5. Ouviras a maioria dizendo: Aos 50 me dedicarei ao ócio. Aos 60, ficarei livre de todos os meus encargos.
Que certeza tens que há uma vida longa? O que garante que as coisas se darão como dispoões? Não te envergonhas de destinar para ti somente resquícios da vida e reservar para a meditação apenas a idade que já não é produtiva? Não é tarde demais para começar a viver, quando já é tempo de desistir de fazê-lo?
Que tolice dos mortais a de adiar as sábias decisões e, a partir daí, onde poucos chegaram, mostrar desejo de começar a viver!
| postado por Cristina Aiach em |
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